
No ciclo de palestras Terças Tecnológicas, o tecnologista Marcelo Schwob mostrou alternativas para o uso de energias limpas nos ônibus da nova linha expressa. Na platéia, enriqueceram o debate especialistas como o professor Luiz Pecorelli, coordenador do Laboratório de Sistemas de Propulsão Veicular Elétrica e Fontes Eletroquímicas da UERJ e membro do núcleo de coordenação da Rede do Veículo Elétrico do SIBRATEC/MCTI e do conselho diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Assim como em outras grandes cidades brasileiras, o transporte público de passageiros do Rio de Janeiro se concentra fortemente no sistema rodoviário. Além de causarem congestionamentos, os mais de 9 mil ônibus que circulam na cidade utilizam o diesel como combustível, emitindo no ar substâncias como dióxido e monóxido de carbono, metano, material particulado e óxidos de enxofre e nitrogênio. Diante da possibilidade de implementação das novas linhas de BRT (bus rapid transport), como a Transcarioca, que deverá estar pronta antes da Copa de 2014, surgem questionamentos sobre uma propulsão mais adequada para esse transporte.
O tema foi abordado nesta terça-feira (18) pelo engenheiro Marcelo Schwob, da área de Energia do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), no evento Terças Tecnológicas, no auditório do INT, integrando a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Na palestra Propulsão elétrica e mobilidade urbana no Rio de Janeiro – Estudo de caso da Transcarioca, Schwob conversou com o público sobre seu estudo comparativo das condições técnicas (consumo energético e emissões) e econômicas (custo operacional energético) da operação de distintos sistemas de transporte rodoviário urbano em vias expressas. O tecnologista revela o impacto positivo da substituição do óleo diesel pelo biodiesel, gás natural ou álcool e, principalmente, pela propulsão elétrica, híbrida ou dedicada.
O Rio de Janeiro possui uma das mais altas densidades de tráfego urbano no mundo. Somente os ônibus consomem cerca de 500 milhões de litros de óleo diesel por ano. Além de serem poluentes e contribuírem para o aquecimento global, esses motores emitem de
Sob a ótica econômica, o engenheiro do INT aponta outro agravante: o Brasil importa 15% do diesel consumido, o que, segundo dados da ANP, gerou em 2010 um gasto de US$ 5,4 bilhões, que eleva o preço do produto. Mesmo subsidiado, o emprego de óleo diesel interfere também no preço das passagens dos coletivos, reforçando a importância da busca por insumos energéticos de menor custo.
A implantação dos BRTs na cidade do Rio de Janeiro representa uma ruptura com o modelo até hoje utilizado. O contrato firmado entre o BNDES e a prefeitura da cidade prevê que os ônibus em trânsito pelos corredores expressos façam uso de energias limpas. Partindo do caso do BRT Transcarioca, que ligará a Zona Oeste à Zona Norte, da Barra até o Aeroporto Internacional Tom Jobim, num trajeto de
O corredor dará vazão ao transporte de 350 mil pessoas por dia, através da interconexão de modais, ajudando a desafogar o trânsito diário e facilitará o acesso aos estádios, durante a Copa, e principalmente ao Parque Olímpico e outros pontos das Olimpíadas de 2016. A opção pela propulsão elétrica permitiria a redução da demanda e do custo energético, além de reduzir a importação do diesel. Também melhoraria o serviço à população, com menores tempos de deslocamento e mais conforto.
* O ciclo de palestras Terças Tecnológicas é destinado ao público universitário. O evento ocorre mensalmente no auditório Fonseca Costa, no INT, trazendo temas ligados às áreas de pesquisa do Instituto.
* Através da área de Energia, o INT desenvolve trabalhos voltados para eficiência energética. Sob encomenda do Banco Mundial, o Instituto, em parceria com a Coppe/UFRJ, realizou o estudo Potencial de Redução de Emissões de CO² e cenário de baixo carbono para o setor Industrial Brasileiro para 2030. Outro trabalho de destaque tem visado a melhoria da eficiência energética nas cerâmicas de pequeno porte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, em projeto com apoio da agência de cooperação do governo da Suíça.
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