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Projeto de pesquisadora do INT é selecionado pelo Instituto Serrapilheira

Publicado: Quinta, 21 de Dezembro de 2017, 16h47

Pesquisa investigará novos usos e propriedades da semente do açaí

A proposta submetida pela bioquímica Ayla Sant Ana da Silva, tecnologista da Divisão de Catálise e Processos Químicos (DICAP) do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), foi aprovada na primeira chamada pública para projetos de pesquisa científica do Instituto Serrapilheira. O projeto foi um dos 65 escolhidos dentre 1.955 propostas, estando compreendido na área de ciências da vida, que concentrou 60% dos concorrentes.

Intitulado "Rotas biotecnológicas para conversão da semente de açaí em energia e produtos com alto valor agregado", o trabalho partiu da constatação da pesquisadora sobre algumas propriedades desta semente, que é descartada na produção da polpa de açaí, ainda que corresponda a 90% do fruto. Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Pará, 1 milhão de toneladas de sementes são jogadas fora anualmente, causando um grave problema ambiental.

IMG 4986 wA pesquisadora Ayla Sant Ana no Laboratório de Biocatálise do INT. 

"A ideia sobre o uso do açaí surgiu durante a visita de um grupo da Natura ao Laboratório de Biocatálise (Labic) do INT. Na ocasião, mostrávamos a eles o trabalho de aproveitamento do bagaço e palha de cana-de-açúcar para produção de álcool e outros produtos de alto valor agregado. Daí, uma pesquisadora da empresa apontou que um resíduo acumulado em grandes proporções na Região Amazônica era a semente do açaí, o que despertou o meu interesse para este material" – relatou a pesquisadora.

Ao investigar o tema, Ayla não encontrou informações consistentes na literatura científica e pôs-se a estudar a semente. Descobriu então que, ao contrário da cana, o caroço do açaí tem pouquíssima celulose, não sendo compatível com aquelas rotas tecnológicas já usadas no laboratório. Em compensação, se mostrou riquíssimo em oligossacarídeos e em manose, um açúcar incomum encontrado em alguns vegetais, geralmente em baixa quantidade. Por fim, a tecnologista ainda identificou a possibilidade de extrair um licor vermelho da semente, com grande concentração de antioxidantes.

IMG 4988 wEm detalhe as sementes de açaí, a biomassa triturada e o licor extraído com alta concentração de antioxidantes. 

Diante da descoberta dessas propriedades, a pesquisadora propôs o projeto para estudar as sementes de açaí como matéria-prima para produtos de alto valor para as indústrias de cosméticos e alimentos.

Em outra vertente, o trabalho estudará o uso dessa biomassa residual, acumulada em regiões remotas do Norte do Brasil, como alternativa para produção de energia para pequenas comunidades que não têm acesso a centros de distribuição de eletricidade. Esta solução envolve um método biológico para converter a semente de açaí em energia usando bactérias que transformam açúcares em hidrogênio e metano, tipos de biogás com alto valor energético. Mesmo com um custo relativamente alto, a produção de energia associada à obtenção de outros produtos de alto valor pode viabilizar economicamente todo o processo.

O projeto de Ayla Santana receberá R$100 mil do Instituto Serrapilheira para o primeiro ano da pesquisa. Ao final do período, até 12 projetos serão selecionados pela Instituição para receberem R$ 1 milhão para mais três anos de trabalho.

 

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