Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Notícias > INT: uma história de inovação desde 1921
Início do conteúdo da página
Notícias

INT: uma história de inovação desde 1921

Publicado: Quinta, 29 de Dezembro de 2016, 18h16

Imagem do recém-inaugurado prédio do INT, em 1931.

thumb b0e3c5d3b60af0c080bae9082214326c

Fundado em 28 de dezembro de 1921 como Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (EECM), o Instituto Nacional de Tecnologia surgiu no então Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio com intuito de aprimorar processos industriais de aproveitamento de recursos minerais e combustíveis no Brasil. Sob a direção do engenheiro Ernesto Lopes da Fonseca Costa, seus estudos viabilizam o uso do carvão nacional, assim como xisto, manganês e suas ligas e outras fontes disponíveis no território brasileiro. Ainda em sua primeira década, sediada em um terreno de uma antiga usina de açúcar na Praia Vermelha, 

no Rio de Janeiro capital federal, a EECM realiza os primeiros ensaios do uso de álcool combustível em veículos. Também seriam feitos ali os testes das primeiras misturas de álcool na gasolina, que deram base para o governo Vargas, em 1931, tornar obrigatória a adição de 5% de etanol à gasolina. Ainda naquela época, foram produzidos os estudos pioneiros para uso de óleos vegetais como combustíveis.

Ainda em 1929, Fonseca Costa é autorizado a procurar um terreno da União para construir novas instalações, mais amplas, para a EECM. Erguia-se o prédio da Avenida Venezuela, onde o INT funciona até hoje. Em 1933, a instituição passava a se chamar Instituto de Tecnologia, incorporando o "Nacional" em 1934, quando o Instituto foi transferido para o Ministério do Trabalho. Nesta época também se amplia o escopo da unidade que passa a estudar o melhor aproveitamento das matérias-primas nacionais e promover cursos de especializações para técnicos brasileiros.

Ainda na década de 1930, o INT incrementa as pesquisas em biocombustíveis com várias oleaginosas e comprova, em seus laboratórios, por meio de amostras coletadas em Lobato (BA), a existência de petróleo no Brasil.

Dentro do INT, surgem também as primeiras reuniões de laboratórios, com grupos de trabalho em metrologia, normatização de ensaios de materiais e registro de patentes, que dariam origem à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ao Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM) – depois transformado em Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) – e ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Ao longo das décadas, o INT mantém essa atuação estratégica voltada para o aprimoramento da tecnologia usada no País. O Instituto contribui, por exemplo, na década de 1940, para o desenvolvimento do método internacional de ensaio de resistência de concreto, adotado mundialmente como Brazilian Test, elaborado pelo pesquisador Fernando Lobo Carneiro, responsável também por desenvolver processos que permitiram o uso da pasta de eucalipto na produção de papel.

Os estudos da Divisão de Açúcar e Fermentação do INT sobre o uso do etanol combustível foram decisivos para a consolidação do Programa Nacional do Álcool, o Pró-Álcool, no final dos anos 1970.

Na década de 1950, investiu nos estudos de biotecnologia e de preservação do meio ambiente e fez o primeiro estudo de corrosão sob tensão no Brasil. Na década de 1960, implantou o primeiro Centro de Informação Tecnológica da América Latina.

Na de 1970, instalou uma usina para produzir álcool a partir de mandioca, e em seguida foi decisivo na validação tecnológica do Próalcool.

Na década seguinte, coordenou o levantamento antropométrico da população brasileira e ampliou bastante as pesquisas com óleos vegetais, promovendo em 1980 o uso do INTol, uma mistura de diesel e etanol, alternadamente, com óleos de amendoim, dendê ou babaçu. Em 1982, também desenvolvia a tecnologia de óleos vegetais em biodiesel.

Na década de 1990, desenvolveu programas de gestão de produção e voltou-se para ofertar suporte tecnológico às pequenas e médias empresas, e, em 1998, iniciou o uso pioneiro no Brasil das impressoras 3D para criação de protótipos industriais e outros fins.

Na década de 2000, o instituto aprimora seu apoio à tecnologia de biodiesel, dando suporte tecnológico ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, torna-se o primeiro Organismo Certificador de Produtos (OCP) público do Brasil e cria uma coordenação no Nordeste, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene).

 

 

Hoje: inovação reconhecida pela sociedade e pelos parceiros

Desenvolvimento de materiais em escala nanométrica, no Centro de Caracterização em Nanotecnologia (Cenano) do INT.

Nos últimos anos, o INT fortaleceu suas pesquisas em grandes temas como biocombustíveis, nanotecnologia, petróleo e gás, produtos para a saúde e energias renováveis e ampliou suas ações de transferência de tecnologia à sociedade, através do seu Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), da participação em programas de extensão tecnológica e de fomento à inovação. Acima de tudo, o Instituto tem uma história constante de apoio ao setor produtivo por parte do Governo Federal, hoje através do MCTIC, gerando e disseminando soluções tecnológicas inovadoras, oferecendo serviços técnicos especializados e certificando produtos.

Destaca-se hoje a atuação do INT como unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), apoiando empresas no desenvolvimento de produtos e processos inovadores em Tecnologia Química Industrial. A infraestrutura do Instituto conta com 20 laboratórios, organizados em conformidade com rígidos padrões de qualidade industrial, e que agregam profissionais altamente capacitados. O INT dispõe ainda do Centro de Caracterização em Nanotecnologia em Materiais e Catálise (Cenano), que conta com o status de Laboratório Estratégico do MCTIC, integrando o Sistema Nacional de Nanotecnologia (Sisnano). Atuando na prestação de serviços e desenvolvimento de tecnologias em dimensões nanométricas, este centro hoje é um importante insumo para a obtenção de novos materiais, aços e cerâmicas, além de propor soluções inovadoras em nanoquímica.

O foco em inovação traz reconhecimentos de importantes prêmios, como o IF Design Award, o mais importante prêmio internacional em design, concedido ao INT em 2013, na versão IF Packaging Design Award 2013, pelo seu projeto de novas embalagens para acondicionamento de frutas e hortaliças. Desenvolvido pela área de Desenho Industrial do Instituto, com financiamento do BNDES e parceria com a Embrapa e o Instituto de Macromoléculas da UFRJ, a solução diminui em até 50% o desperdício dos alimentos transportados.

Já o processo verde de produção de uma especialidade química usada na fórmula de produtos de higiene pessoal e cosméticos desenvolvido pelo Laboratório de Biocatálise do INT em parceria com a Oxiteno foi merecedor do Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia de 2015, na categoria Empresa. Além de produzir um produto mais seguro para o consumidor final, a tecnologia, elaborada com apoio do programa da Unidade Embrapii INT, reduziu o tempo de produção, diminuiu riscos ocupacionais e emissões em até 90%.

Outro trabalho, coordenado no Brasil pela área de Energia do INT, melhorou a eficiência energética, as tecnologias empregadas na produção do setor de Cerâmica Vermelha do Rio Grande do Norte; além de reduzir as emissões em 104%, evitando que cerca de 474 mil toneladas de CO2 fossem despejadas na atmosfera. A iniciativa integrou o projeto Eficiência Energética em Indústrias Cerâmicas na América Latina para Mitigar a Mudança Climática (EELA), fomentado pela Agência Suíça de Cooperação e Desenvolvimento (Cosude) e pela ONG Swisscontact. O sucesso da iniciativa rendeu ao INT o prêmio João de Barro 2016 na categoria Instituição, concedido pela Associação Nacional da Indústria de Cerâmica Vermelha (Anicer).

Em 2016, o INT, em projeto de Desenho Industrial, também recebeu a medalha de prata do Prêmio Internacional Objeto Brasil 2016, na categoria Design para Todos/Economia Solidária, por uma cadeira de rodas residencial, com novo sistema de propulsão e dimensões adequadas à passagem por corredores e portas de casas e apartamentos. Em 2013, a equipe recebeu a versão anterior dessa premiação, o prêmio International Design Excellence Awards (IDEA) por uma cadeira hospitalar, com sistema de remoção fácil do paciente e redução de espaço quando dobrada.

Mesmo em um ano de muitos contingenciamentos, como em 2016, a excelência do INT têm seu mérito reconhecido como na aprovação pelo CNPq do projeto voltado à consolidação do Instituto Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) Hydrogen and Fuel Cell for Generation of Renewable Energy. Coordenado pelo INT através do servidor Fábio Bellot, do Laboratório de Catálise, o grupo do novo INCT agrega cerca de 40 instituições de pesquisas nacionais. As atividades serão voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para produção e purificação de hidrogênio a partir de diversos insumos (fósseis e renováveis) e ao desenvolvimento de células a combustível para aplicações em fontes móveis e estacionárias.

Biomateriais, tecnologias assistivas, desenvolvimento de inibidores de corrosão, testes em aços especiais e novas ligas metálicas, desenvolvimento de novos materiais poliméricos, biocombustíveis, intermediários químicos, avaliações tecnológicas, tecnologias de gestão da produção, projetos ergonômicos são alguns outros exemplos da excelência presente em vários grupos de pesquisa do INT, alguns com trabalhos transversais, que só são possíveis dentro de uma instituição multidisciplinar de alto nível. O foco é trabalhado com a participação em programas de excelência da Qualidade, com resultados significativos junto a Abipti, PQRio e o sistema da Qualidade unificado junto ao Inmetro, desde 2012.

Fim do conteúdo da página