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Agricultura orgânica pode ser saída para alimentar o planeta

Publicado: Terça, 18 de Outubro de 2016, 19h14

2016-10-18 terca-tecnologica organicos web1 foto-justo-davilaEspecialistas apontam orgânicos como alternativa para colapso do modelo industrial de agricultura.

A produção crescente de alimentos por meio da agricultura industrial já indica sinais de inviabilidade para um futuro não muito distante, em vista dos impactos ambientais severos proporcionados por este modelo de cultivo. Proliferação de matéria orgânica indesejada (eutrofização), salinização, acidificação de oceanos, erosão, diminuição do oxigênio e quebra das cadeias alimentares naturais são alguns dos efeitos da contaminação e esgotamento do solo promovidos pelo uso cumulativo de fertilizantes e defensivos agrícolas químicos. Esse contexto foi divulgado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) na palestra "Ciência Alimentando o Brasil: Desafios e tecnologias para a produção orgânica", realizada na tarde de hoje (18), na edição especial do ciclo Terças Tecnológicas que integra as atividades da 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cujo tema central é "Ciência Alimentando o Brasil".

O engenheiro industrial químico Ronaldo Rodrigues de Sousa, da área de Certificação de Produtos do INT, mestre em geociências na área de geoquímica ambiental, apontou a agricultura orgânica como saída para o futuro da alimentação no Brasil e em todo o mundo. Em sua apresentação, destacou o problema das monoculturas: hoje, 17 culturas utilizam 58% da área agricultável do pllaneta e 95% das áreas irrigadas, além de 70% de todo o nitrogênio e fósforo despejados no solo. Somente as plantações de arroz, usam 10% de toda a área agricultável do planeta e são responsáveis por 9% da emissões globais de metano, que tem um potencial causador de efeito estufa 25 vezes maior do que o dióxido de carbono. Os efeitos negativos do modelo agropecuário não param por aí, incluindo o aumento crescente do consumo de água, a diminuição das áreas de florestas e a contaminação e esgotamento dos solos.

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"Ao contrário deste modelo, a cultura orgânica desponta como um caminho possível, sendo construída sem uso de produtos agrotóxicos, com possibilidade de recuperação de solos degradados, coexistência com florestas e áreas naturais, integração da produção animal e vegetal, redução das emissões de metano e carbono", pontua Ronaldo Rodrigues.

O fiscal federal agropecuário Alfredo Henrique Mager, da Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento Agropecuário, da superintendência federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no Rio de Janeiro, por sua vez, ressaltou outro aspecto importante da produção orgânica: a confiança do consumidor. A qualidade orgânica é assegurada por mecanismos de controle e informação estabelecidos na legislação brasileira. Para utilizar o selo "Orgânico", o produto precisa passar pela certificação de terceira parte, como a realizada pelo INT, que desde 2011 certifica produtos orgânicos nas áreas de produção primária vegetal, produção primária animal, processamento de produtos de origem vegetal e extrativismo sustentável vegetal. Outra opção para obter o selo é sistema participativo de garantia, também acreditado pelo MAPA, que ainda credencia produtores para venda direta ao consumidor, por controle social, este último sem uso do selo.

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