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Ceramistas latino-americanos percorrem Rio Grande do Norte conhecendo exemplos de eficiência energética na indústria cerâmica

Publicado: Sexta, 29 de Abril de 2016, 15h00

Os ceramistas visitantes assistem apresentação sobre tecnologias implementadas na Cerâmica Tavares, em Parelhas (RN). (Foto: Justo D'Avila/INT)

Ceramistas do Peru, Bolívia, México, Colômbia, Equador e da região Nordeste do Brasil estiveram no Rio Grande do Norte entre os dias 26 e 29 de abril, participando de uma missão empresarial para conhecer fornos com tecnologias apropriadas para melhorar o uso da energia, aprimorar a qualidade dos produtos e, sobretudo, reduzir o impacto ambiental da atividade e suas emissões de gases causadores do efeito estufa.

O diretor do Projeto EELA, Jon Bickel, da Suisscontact, faz um balanço geral do impacto das iniciativas na América Latina. (foto: Justo D'Avila/INT)O encontro teve início no dia 26, em Natal, com a reunião do comitê diretivo do projeto Eficiência Energética em Indústrias Cerâmicas na América Latina para Mitigar a Mudança Climática (EELA). A iniciativa recebe apoio da Agência Suíça de Cooperação e Desenvolvimento (Cosude) e da ONG Swisscontact, abrangendo sete países, incluindo o Brasil, onde o projeto é coordenado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI). 

O trabalho incentiva empresas a modificarem sua tecnologia de queima, passando a demandar menos combustível para produzir a mesma quantidade de telhas e tijolos, melhorando a qualidade do produto final e reduzindo consideravelmente a poluição do ar. Junto com iniciativas de manejo florestal sustentável e uso de biomassa renovável oriunda da algaroba ou da poda de cajueiro, já foi evitada no Brasil a emissão de pelo menos 430 mil toneladas de gás carbônico (CO2), somente entre o grupo de indústrias cerâmicas monitorado diretamente pelos especialistas do INT. O polo principal do trabalho foi no estado do Rio Grande do Norte, mais precisamente na região do Seridó, onde o uso de fornos abertos – do tipo caipira ou caeira – ainda contribui para o desperdício de energia térmica e, por consequência, para o lançamento de carbono e materiais particulados na atmosfera.

O tecnologista do INT Augusto Rodrigues apresenta resultados do Projeto EELA no Brasil. (foto: Justo D'Avila/INT)A reunião do comitê diretivo do EELA contou com a participação do diretor geral do projeto, Jon Bickel; do coordenador-geral de Tecnologias Setoriais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Eduardo Soriano; do presidente do Sindicato da Indústria da Cerâmica Vermelha do Rio Grande do Norte (Sindicer-RN), Vargas Soliz; além de representantes da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer), a Associação Nacional dos Fabricantes de Máquinas e Equipamentos para Indústria Cerâmica (Anfamec), Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Sebrae-RN, Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cern) e as coordenações do Projeto EELA na Bolívia, Peru e Brasil.

O chefe da área de Energia do INT, Maurício Henriques, apresenta medidas aplicadas pelo projeto que impactaram na redução de emissões de gases de efeito estufa na região do Seridó. (foto: Justo D'Avila/INT)Durante a reunião, realizada na sede da FIERN, o INT apresentou resultados das ações no Brasil, assim como representantes do projeto no Peru e na Bolívia mostrarão resultados em seus países, e todos apresentarão estratégias para a continuidade das ações após o encerramento desta fase do projeto, em dezembro de 2016. “A ideia é que o modelo de apoio à modernização das cerâmicas tenha continuidade por meio da cadeia produtiva que se estabeleceu durante o projeto”, explica o engenheiro Maurício Henriques, chefe da área de energia do INT.


Missão empresarial

Os empresários latino-americanos acompanham a linha de produção de tijolos, na Cerâmica São Francisco, em Carnaúba dos Dantas (RN). (Foto: Henrique Alessandro)

A missão empresarial chegou no dia 26 à noite nos municípios de Parelhas e Currais Novos, no sertão do Rio Grande do Norte. De 26 a 29 de abril, o grupo percorreu indústrias cerâmicas que adotaram modelos de fornos mais eficientes para o aprimoramento da atividade, tais como as cerâmicas São Francisco, Tavares, N. Sra. dos Impossíveis, no Seridó, e as cerâmicas Pataxó, Itajá e Portal do Vale, no Vale do Assu.

Forno Cedan, em Carnaúba dos Dantas (RN). (Foto: Henrique Dovale)Guiadas por especialistas e pelos provedores das tecnologias expostas, as visitas técnicas mostraram a ceramistas brasileiros e da Colômbia, Peru, Equador, Bolívia e da África do Sul os modelos de fornos implementados e validados pelo projeto, que incluem fornos do tipo câmara/cedan, metálico móvel, abóbada e vagão metálico. Os empresários poderão, assim, observar as diferentes características produtivas desses equipamentos e seu impacto nos diversos tipos de indústria cerâmica, esclarecendo dúvidas com os técnicos, fabricantes e usuários.

“A ideia é que os produtores possam ver diretamente esses fornos em funcionamento, verificando suas características e vantagens, o que vai embasar o conhecimento sobre qual dessas tecnologias melhor se adequa à realidade de sua empresa”, complementou o engenheiro do INT Augusto Rodrigues, coordenador do projeto no Brasil.

Além do Rio Grande do Norte, o projeto EELA abrange todo o Nordeste, visando essencialmente divulgar tecnologias capazes de melhorar a produção e, sobretudo, reduzir o consumo de energia e o impacto ambiental da atividade do ceramista. Em toda a região, são mais de 1,7 mil empresas. O INT também divulga esses modelos de alternativas tecnológicas por meio de manuais, vídeos em 3D sobre os fornos, mostras técnicas e palestras, que se realizam em vários polos de cerâmica.

Divisão de Comunicação - INT

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