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Bactérias ajudam a remover metais quebrados dos dentes

Labio FabianoHeggendorn MarciaLutterbach foto justo davila web

O dentista Fabiano Heggendorn e a bióloga Márcia Lutterbach avaliam, no Laboratório de Biocorrosão do INT, as amostras de metais corroídos pelas bactérias redutoras de sulfato.

Bactérias que atacam o aço são ameaça constante, especialmente em setores como a indústria de óleo e gás. O dentista Fabiano Heggendorn, no entanto, propôs, em seu mestrado em Patologia Oral pela Universidade Federal Fluminense (UFF), um uso positivo para a propriedade corrosiva dessas bactérias: auxiliar a remover fragmentos metálicos que ficam presos ao canal do dente, especialmente pela quebra de instrumentos endodônticos. Ele encontrou a competência técnica para o desenvolvimento da solução no Laboratório de Biocorrosão e Biodegradação (Labio) do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), onde passou a pesquisar como bolsista de mestrado, doutorado e por fim como bolsista INT/PCI/CNPq, tendo a pesquisadora Márcia Lutterbach como coorientadora de seus trabalhos desde 2009.

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Imagem do concentrado de pellets celulares usados no biofármaco patenteado. À direita, o encapsulamento de microrganismos.

A investigação científica culminou com o isolamento de uma bactéria redutora de sulfato – presente na própria saliva – capaz de reduzir a massa metálica do aço sem efeitos nocivos ao organismo, conforme comprovado em ensaios biológicos e citotoxicológicos. O depósito da patente do processo foi feito ainda em 2011 e a carta de patente expedida no último dia 21 de novembro. A proteção do invento tem como titulares a equipe multidisciplinar reunida para viabilizar o processo, que além de Fabiano Heggendorn e da bióloga Márcia Lutterbach, envolveu a orientadora de mestrado e doutorado de Fabiano na UFF, a médica patologista Eliane Pedra Dias, e o dentista Lucio de Souza Gonçalves, professor da Universidade Estácio. Os ensaios biológicos e a tecnologia de encapsulamento das bactérias, por sua vez, envolveram parceria com a professora Viviane Lione, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Ensaio do biofármaco patenteado, simulando a fratura de uma lima endodôntica dentro de dentes in vitro. Ao centro, imagem de microscópio eletrônico do INT revelando a formação de biofilme e áreas de corrosão sobre a superfície metálica da lima endodôntica atacada pelas bactérias. À direita, a demonstração da perfuração no metal pela ação do biofármaco.

A tecnologia patenteada, que recebeu o prêmio Santander de Inovação Tecnológica ainda em 2013, está sendo agora negociada na expectativa de consolidar o processo de inovação e chegar ao mercado. Para tanto são necessários ainda testes em animais e em seres humanos, que requerem investimentos de empresas. Outra aplicação possível do processo, que tem estudos complementares envolvidos nessa vertente, é o uso da bactéria para facilitar a extração de projéteis incrustados em ossos e regiões de difícil acesso do corpo de pessoas baleadas.

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